Entrevista ao Podcast Vozes Urbanas: Arborização Urbana na cidade do Rio de Janeiro
Participei do podcast Voz Urbana, do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ), para falar sobre a arborização urbana e o desmonte silencioso das garantias ambientais no Rio de Janeiro. O caso do terreno do Colégio Bennett, onde 71 árvores foram cortadas, é emblemático.
O decreto de tombamento é claro ao afirmar que todas as árvores do local eram imunes ao corte. Ainda assim, tanto o órgão de licenciamento quanto o conselho responsável pelo patrimônio ignoraram dispositivos expressos da norma. Não se trata apenas de um erro técnico — trata-se de uma grave falha institucional. E é preciso dizer com clareza: plantar mudas pequenas não compensa a retirada de árvores adultas. A chamada “medida compensatória”, da forma como vem sendo aplicada, não recompõe o dano ambiental nem climático causado.
Mas o problema é ainda mais profundo. Temos uma gestão ambiental fragmentada, competências confusas, a Fundação Parques e Jardins praticamente desmontada e um Plano de Arborização Urbana que existe no papel, mas não é efetivamente implementado. Some-se a isso a sistemática não aplicação do Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV— instrumento previsto desde 1992 na Lei Orgânica do Município, pelo Estatuto da Cidade de 2001, e constante de todos os Planos Diretores da cidade.
Este é e — e temos um cenário que não é fruto do acaso. É uma escolha política. A norma do Estudo de Impacto de Vizinhança esteve e está em todos os Planos Diretores e, simplesmente não é aplicada, por requintes de negação jurídica na sua “interpretação”! Assim, sem cumprimento do planejamento urbano previsto no Plano Diretor, sem transparência e sem controle adequado do licenciamento obscuro e automático, a cidade perde árvores, e com elas perde qualidade de vida de todos seus habitantes e perde capacidade de enfrentar as mudanças climáticas.
A árvore não é um obstáculo; é infraestrutura essencial e elementar de uma cidade tropical.
Convidamos para assistir a conversa completa, que foi mediada pelo pelo Presidente do CAU/RJ, Sydnei Menezes, e pela Vice-Presidente do CAU/BR e Conselheira Federal, Leila Marques, e teve também a participação da Doutora em arquitetura sustentável Isabelle de Loys.


















