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12 | Abril | 2017
Privatizar parques públicos? 7 dicas do Central Park de Nova York

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Crédito: Courtesy Central Park Conservancy

No momento em que o prefeito Dória relança a velha ideia de “privatizar” os parques públicos de São Paulo, é interessante buscarmos, na terra do Tio Sam, aquele que é um exemplo de gestão privada de parques públicos: o Central Park de Nova York. Ao que parece lá, no coração do capitalismo, da privatização e do individualismo, a gestão privada dos parques públicos não é nem empresarial, nem feita de improviso; é feita  com organização,  e sob o estrito comando permanente do poder público. 

Vejamos as 7 dicas básicas de gestão:

1. Quem é a gestora em nome da Prefeitura? O Central Park de Nova York não é gerido por nenhuma empresa comercial, mas por uma entidade civil, sem fins lucrativos, a “Central Park Conservancy (*1). Portanto, a gestão privada do parque não objetiva a exploração comercial do mesmo, seja para seu financiamento, seja para seu custeio. A gestora colabora com a Prefeitura deste 1980, tendo seu contrato de gestão, originalmente assinado em 1998, sido renovado em 2006, e novamente renovado em 2013, afirmando a confiança da Prefeitura em sua parceria de mais de 35 anos em gestão conjunta.

2. Princípio da gestão. A responsabilidade da “Central Park Conservancy” é cuidar do espaço público mais importante de Nova York; seu trabalho de gestão, segundo seu site, é baseado na crença de que a liderança cidadã e a filantropia privada são os aspectos fundamentais para garantir que o parque, e o seu objetivo essencial persistam, qual seja : proporcionar um retiro cênico da vida urbana para o gozo de todos os nova-iorquinos, a partir da conservação e do reconhecimento do Central Park como uma obra-prima da arquitetura paisagística.

3. Orçamento, e uma verdadeira parceria público-privada. Para 2016, o parque contou com orçamento de US $ 67 milhões (cerca de R$ 210 milhões), sendo que 75% deste valor seria de ser obtido de doações privadas e parcerias, e o restante advindos recursos da Prefeitura. Neste sentido, o parque é mantido por uma efetiva parceria público-privada, já que parte substancial do seus recursos de manutenção vêm de fontes privadas, sem contrapartidas econômicas (não sabemos se os doadores podem, ou não, descontar suas doações do Imposto de Renda, como acontece no Brasil, com as “filantropias” da lei Rouanet). Qualquer um pode entrar no site da gestora e fazer doação ao parque: pode adotar um banco, um gramado, um canteiro de flores, um projeto educacional, a partir de U$ 50,00 (cinquenta dólares).

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Fotomontagem. Central Park Conservancy

4. Tarefas da gestora “Central Park Conservancy”. O contrato prevê os cuidados fundamentais para com Central Park, (bem como alguns trabalhos de manutenção em outros parques de Nova York, a partir de sua longa experiência no Central Park). Especificamente, a Conservancy é responsável pela manutenção da paisagem e do gramado, pelos cuidados com as árvores, pelo trabalho hortícola, pela limpeza e reparação de parques infantis e estações de conforto, pela reparação de bancos, remoção de grafite, limpeza de passagens e manutenção e reparação de monumentos e estruturas do parque. Além disso, o acordo de 2013 definiu o papel da Conservancy no apoio e treinamento de funcionários da Cidade que trabalham em outros parques, e em outros cinco municípios, proliferando suas melhores práticas relacionadas aos cuidados de horticultura, e gestão de operações.

5. Papel da Prefeitura de Nova York. A Prefeitura mantém o controle geral e a responsabilidade política no Central Park. O Comissário “público” do parque, e funcionários da Prefeitura estão envolvidos em todos os aspectos do planejamento do parque, e devem aprovar todas as melhorias que a organização pretende empreender. As operações de regulamentação administrativa, aplicação da lei e eventuais concessões no Central Park estão sob o domínio exclusivo da Prefeitura.

6. Governança do Central Park Conservancy. O Conselho de administração é composto por uma seleção diversificada e transversal de cidadãos, aí inseridos funcionários da Prefeitura nomeados pelo Prefeito, e indivíduos que representam a comunidade que usa o parque. Existem 43 curadores gerais: 5 curadores nomeados pelo Prefeito; 4 comissários; o presidente do distrito de Manhattan; o administrador do parque e a presidente do Comitê das Mulheres; 9 conselheiros; 4 membros fundadores. Confiram abaixo (leia mais), os nomes, a formação, e o currículo dos administradores, e dos membros do Conselho Curador e Conselheiros do Parque.(*2)

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(Ingfbruno / Wikimedia Commons)

7. Transparência total e informações do Parque e de sua gestão. A gestora Conservancy mantém um site detalhadíssimo do Central Park, que apresenta as possibilidades dos diversos níveis de doações, do acesso especial a programas, passeios e descontos. Apresenta todos os detalhes da gestão financeira, com todos os documentos comprobatórios da despesa. Ainda apresenta os grupos especiais e Comitês participativos da gestão, tais como o Comitê de Mulheres, de parceiros, e de profissionais jovens, e muito mais.

Está tudo lá para qualquer um ver, conferir e desfrutar de todas as informações e, se e quando puder, deste incrível e conservado espaço público de lazer, e de toda sua programação.

É tudo exemplar. Basta copiar. Mas, copiar direitinho…

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29 | Março | 2017
Comentários às fotos de San Telmo, Buenos Aires

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O bairro San Telmo, em Buenos Aires, fica entre a larguíssima Av. 9 de Julho, e o Av. Paseo Colón e os armazéns do Porto Madero.  Esta área da cidade é viva, dinâmica e os turistas adoram, bem como os habitantes da cidade, que lá vão para comer, se divertir e morar.

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23 | Março | 2017
A cara das cidades: Buenos Aires, o Rio e a polêmica do “novo” Museu da Marinha

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No momento em que estava para escrever um pequeno artigo sobre Buenos Aires e o seu tradicional bairro de San Telmo, apareceu, na mídia carioca, o anúncio do já polêmico “novo Museu Marítimo”, numa das áreas mais importantes da paisagem cultural da Cidade – o Cais dos Mineiros, na entrada da Baía.

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20 | Março | 2017
Câmara do Rio faz Audiência Pública de ficção: o caso do América F.C.

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Quem, em sã consciência, pode se preparar para ir à uma audiência pública marcada de um dia para o outro através de uma publicação do Diário Oficial do Município ? Pois então, os vereadores do Rio acham que dá para fazer uma audiência pública assim.

Publicaram nesta segunda-feira, dia 20, convocando para a realização no dia seguinte, dia 21, às 9h30 da manhã.  Seria hilário, se não fosse um assunto extremamente sério. Seria infantil, se não fossem os vereadores todos adultos, maiores, e ocupando nobres funçõesde legisladores da Cidade.  Tratam o cidadão, que eventualmente queira participar, com desprezo, e, consequentemente com de respeito. 

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16 | Março | 2017
Lota e o Google: genial reconhecimento

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Quem diria; enquanto a Cidade, os periódicos cariocas, os fluminenses e as autoridades continuam ignorando Lota de Macedo Soares, figura a quem devemos o incrível e único Parque do Flamengo, o Google lhe dedicou nesta quinta-feira, dia 16 de março, data na qual completaria 107 anos, uma homenagem em forma de doodle nacional. Entendi agora, mais claramente, porque o Google é uma empresa de reconhecido destaque e popularidade.

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9 | Março | 2017
Clube do América coloca a Tijuca em cheque – Um jogo sem planejamento

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Mais um clube falido do Rio coloca em cheque o bairro da Tijuca. Quer que lhe seja dado, de presente, o direito de fazer um shopping em seu enorme terreno no bairro, na Rua Campos Salles. O clube está decadente e deteriorado? Sim

O clube provou que as dezenas de milhares de reais que pleiteia ganhar, de presente, da Câmara de Vereadores do Rio será revertido para o seu proveito e dos seus atletas? A resposta é não !

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22 | Fevereiro | 2017
Presos degradados: quem paga pelos danos causados?

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Presos no país em condições absolutamente degradantes. Por isso, em recente decisão, o Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu que, em situação flagrantemente indigna, eles fazem jus à indenização por danos morais.

Esta questão jurídica merece esclarecimentos pois, embora legalmente perfeita, como veremos, seus efeitos são bombásticos.  E, por isso, dividiu os votos dos Ministros integrantes da Suprema Corte do país.

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  • Fundação Bio-Rio, na UFRJ: alvo de investigação do MP 13 | Abril | 2017
    Fundação Bio-Rio, na UFRJ: alvo de investigação do MP
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    Mais um caso de ilícito financeiro envolvendo uma fundação de pesquisa, no campus tecnológico do Fundão, da precarizada UFRJ. Este caso ocorre na vida universitária, no campus da maior e mais antiga universidade federal no Rio, ao lado da área que o Município do Rio, no governo Paes, cedeu cinco hectares de terras públicas, por 50 anos, de graça, à General Electric (GE), na Ilha de Bom Jesus, para que esta empresa ali construísse seu edifício de pesquisa tecnológica! Leia aqui. (mais…)

  • América F.C. – História diz que shopping não salva clube 5 | Abril | 2017
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    Neste artigo do Urbe Carioca, a arquiteta urbanista Andréa Redondo destaca que “do mesmo modo que não há garantia de que estádios resolverão os problemas financeiros dessas instituições, é de se indagar se liberar a construção de shoppings, à custa do solo e da paisagem urbanas, salva clubes de futebol. E se salvar clubes de futebol à custa do solo urbano é devido”. Confira aqui. (mais…)

  • A faculdade de Engenharia de Buenos Aires: conheça por fotos. 29 | Março | 2017
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    Não sei se os estudos são bons, mas o prédio impressiona. E isso já é bom. A Faculdade de Engenharia, fica na Av. Paseo Colón. Seu prédio é uma construção imponente. Sensibilizou-me que ele subsista como escola pública. É a tradição mantida.   Por fora, bem cuidado. Por dentro, com a dinâmica de uma faculdade: cartazes, reivindicações, bicicletas guardadas, fotos de esportes e também a memória dos desaparecidos.   Veja o pequeno album de fotos especial para este tema.  

  • “Anatomia de um crime” 23 | Março | 2017
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    Nesta reportagem, na qual fui uma das entrevistadas, a Agência Pública percorre a história do Maracanã, patrimônio cultural destruído com autorização do Iphan e abandonado pelo poder público depois de mais de R$ 1,3 bilhão gasto em obras suspeitas de alimentar a corrupção. Confira aqui. (mais…)

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  • Ruptura da reforma da Previdência 22 | Março | 2017
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    Notícia sobre a retirada dos servidores estaduais e municipais do texto da reforma da Previdência faz sua ruptura definitiva entre categorias de brasileiros. O argumento de que a retirada dos servidores públicos estaduais e municipais da reforma preserva a autonomia federativa e reduz o risco de judicialização é juridicamente falso. (mais…)

San Telmo - Março de 2017

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