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A cara das cidades: Buenos Aires, o Rio e a polêmica do “novo” Museu da Marinha

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No momento em que estava para escrever um pequeno artigo sobre Buenos Aires e o seu tradicional bairro de San Telmo, apareceu, na mídia carioca, o anúncio do já polêmico “novo Museu Marítimo”, numa das áreas mais importantes da paisagem cultural da Cidade – o Cais dos Mineiros, na entrada da Baía.

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Reproduções

E o que isso tem a ver com Buenos Aires e o bairro San Telmo  e com o Rio e o “novo” Museu Marítimo? Tudo a ver. Sobretudo quando o tema é a preservação da “cara” da Cidade.

Buenos Aires tem feições e características que a singularizam. E por que sentimos isso quando flanamos por lá?

Porque lá não se demole continuamente o que foi construído. O que está feito, está feito. Deixam o que está construído existir, incorporando-se à paisagem afetiva da cidade.  

rua do bairro

Rua do bairro de San Telmo – Buenos Aires

O bairro de San Telmo é isso;  suas construções não são necessariamente “velhas”, antigas ou coloniais. O que está lá edificado fica lá, meio misturado e às vezes pouco conservado. Porém, dinâmico, vivo.

Quando passeamos pelo bairro temos a certeza que estamos em Buenos Aires e não em qualquer outra cidade do mundo. O que foi construído passa a pertencer à paisagem da cidade e passa a ser respeitado.

portas em casas do bairro

San Telmo – portas em casas do bairro

A polêmica do “novo” museu da Marinha é o contrário disso. Uns argumentam que ele é novo, pois foi totalmente reformulado em 1996, imitando um prédio português, sendo um falso histórico. É, precisam mesmo explicar muito isto – que ele não merece ser preservado porque ele não é velho o suficiente. Confunde-se aí o velho com o histórico.

Contudo, parece que o prédio que lá está, apesar de não ser “velho”, já é histórico na paisagem do Rio e aos olhos dos cariocas.  Ele já se integrou afetivamente na paisagem urbana da Cidade, e por isso merece ser respeitado. 

Se o Rio continuar no processo de substituição de tudo, – o velho porque já está velho, e o novo porque ainda não está velho -, vai perder, definitivamente, a sua cara urbanística. E com ela a memória afetiva da cidade construída pelas gerações que nos antecederam.

Apesar da nossa magnífica paisagem natural, perderemos a paisagem cultural e vamos todos passear em Buenos Aires, para ver como uma cidade preserva sua identidade urbanística, a sua cara.

Confira também:

Artigos da arquiteta urbanista Andrea Redondo:

“Áreas da marinha continuam em foco – Novo Museu e nova polêmica à vista”

“Cais dos Mineiros – Mais sobre o novo Museu da Marinha”

Coluna Ancelmo Gois 21.03.2017

“Marinha explica: prédio que dará lugar a novo museu não é `histórico´, mas de 1996

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