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Comentários às fotos de San Telmo, Buenos Aires

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O bairro San Telmo, em Buenos Aires, fica entre a larguíssima Av. 9 de Julho, e o Av. Paseo Colón e os armazéns do Porto Madero.  Esta área da cidade é viva, dinâmica e os turistas adoram, bem como os habitantes da cidade, que lá vão para comer, se divertir e morar. 

Buenos Aires é uma grande cidade que preserva os seus bairros típicos, como Boca, Palermo e San Telmo; e o próprio centro, onde os casarões são conservados, com suas famosas e gostosas confeitarias e restaurantes. Ficava me perguntando como a área central de Buenos Aires não foi tomada por prédios altos, como foi a nossa Avenida Rio Branco, no Rio, ex-Avenida Central, que guardava incrível semelhança com os bulevares franceses, mas que foi totalmente destruída.

A resposta de um amigo arquiteto portenho foi a de que a legislação urbanística da cidade foi quem fez, indiretamente, o papel de preservar as características urbanísticas da região.

O que me chamou a atenção em San Telmo, especialmente, foi (acompanhe pelo álbum de fotos):

1.  Calçadas :há calçadas, e nelas se pode caminhar sem tropeçar em postes, bancas de jornais, lixeiras, artefatos de plantas e vasos, ou em declives acidentados de entradas de garagens (fotos 9, 10, 30, 37, 44).  As calçadas são estreitas, por vezes, mas mais ou menos bem conservadas, salvo raras exceções (foto 64).  Também as entradas de garagens tem declividade que não impedem a razoável caminhada dos pedestres (foto 61).  Registre-se, finalmente, que embora se possa estacionar em um lado das ruas, em geral os carros estacionam em alguns terrenos transformados em estacionamentos (62)

2. Fios aéreos: não há a sujeira de montes de fios aéreos  e postes nas calçadas.  Há somente um ou dois fios que atravessam a parte central das ruas, e as iluminam no centro (foto 5).  Isso “higieniza” a paisagem urbana.  A poluição visual dos fios aéreos urbanos é dramática para nossos olhos. Com eles, tudo fica sujo e feio.  Sem eles, muito mais bonito!

3. Arborização: não há muita arborização nas ruas estreitas, para não se tirar espaço das calçadas.  Impressionou-me a forma eficaz com que “aprisionaram”, junto à casa, o caule de lindos bouganvilles, para que estes não avancem sobre a calçada, e sobre os pedestres (fotos 30, 31 e 42).  Porém, onde há espaço, plantas e árvores são muito bem vindas. (fotos 9, 13, 46, 47, 65)

4. Pisos das ruas: não há uniformidade no piso das calçadas, mas, de modo geral, são regulares.  No piso da rua de rolamento de carros, o paralelepípedo, e até nos ex-trilhos de bondes foram conservados como na origem, o que diminui, naturalmente, a velocidade dos carros no bairro (fotos 5,10, 11, 16, 42).  Bem interessante.  Não arrancaram nada; para quê?

5. Usos: embora seja também uma área turística, o uso local foi conservado, com seu mercado central (foto 21, 22, 23, 25, 26), lojas diversas (ft. 24), instituições públicas (40, 41), residências de todo tipo (ft 27, 58), e muitos restaurantes. O bairro vive.  E, bem próximo, a tradicional Faculdade Nacional de Engenharia, no seu imponente prédio, na Av. Paseo Colon.

Faculdade de Eng. Buenos Aires (1)Faculdade de Eng. Buenos Aires (2)

Tudo mais ou menos bem conservado, sem sofisticação, sem muito dinheiro em mega obras de restauração. O que significa dizer que o seu futuro, quanto à sobrevivência desta preservação é promissor.

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Bens históricos abandonados ou fechados no Rio

Crédito: Claudio Prado de Mello
               

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Paisagem Cultural do Rio ameaçada pela obstrução de prédios

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Crédito: Sonia Rabello