Cantagalo: acessos precários.

De quem é a competência para resolver?
 

Subir na comunidade ainda é precário e caro. Por isso, a qualidade de vida nestas comunidades é duramente sacrificada, e o acesso à moradia ainda distante de algo digno. Um desastre.

 
O Cantagalo é uma das “joias da coroa” da visitação turística e política, especialmente após a instalação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Mas os seus moradores ainda escalam, duramente, as ladeiras, para chegar as suas casas, ir e vir do trabalho e das escolas, fazer compras, levar crianças, idosos, e adultos a uma tentativa de atendimento de saúde.
 
É consenso na Academia de que um dos fatores de formação de favelas no Rio é o de que estas ocupações se formaram porque suas localizações se encontram próximas ao mercado de trabalho e aos centros de deslocamento. De fato, o Cantagalo está entre Copacabana e Ipanema – nada mais nobre. O difícil ainda é chegar lá em cima.                                                 

                                                                                       Detalhe do estado interior da kombi

         
Pelo seu tradicional acesso viário pela Rua Sá Ferreira, íngreme e mal conservada, o morador paga R$ 2 para subir em uma Kombi totalmente esculhambada (desculpe o termo, mas não encontrei outro…). O mesmo preço é cobrado se for de moto. Para descer custa R$ 1.      
 
Depois de pagar o preço do transporte coletivo para chegar à Copacabana, qual o morador que pode pagar este “adicional”? Por que não há disponibilidade de transporte público se a comunidade é reconhecida e notoriamente carente?
 
Por isso, muitos – ou quase todos – sobem a pé. Não pelas calçadas, mas pelo centro da via, porque o que resta da estreitíssima calçada é tomada por mercadorias ou por carros encostados aos muros. Isto é, quando existem (…).
 

Ora, como falar em regularização de comunidades se não há nem acesso adequado às moradias ?

Nada, ou quase nada, me parece, que os legisladores podem fazer. Neste ponto a competência para escolher a forma de qualificação dos espaços da cidade, a forma de urbanização, e suas prioridades, é do Executivo.

Há mais de um século não há, no Rio, planejamento que se volte para habitação social. Muito discurso, anúncios, projetos, mas com pouco ou nenhum planejamento e continuidade das ações. E o novo Plano Diretor do Rio foi um zero a esquerda nesta questão!

Compare, pelas fotos, o acesso feito nas intervenções de acesso às comunidades em Medellin e no Cantagalo.

Medellin – subida na comunidade de Santo Domingo – urbanização                        (Fotos SR – 2010)

Cantagalo – Copacabana – Rio de Janeiro: futura cidade Olímpica            (Fotos SR 2011)

 
 
 
 
 
 
   
  

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