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Transolímpica: obra derrubará 200 mil m² de Mata Atlântica ?

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Em entrevista ao site Uol esporte, destaco que a construção da Transolímpica, que causará a derrubada de 200 mil m² de Mata Atlântica no Rio de Janeiro, pode ser, mais uma vez, a prova de que o compromisso com a sustentabilidade está perto de se tornar mais uma promessa não cumprida, vide o que tem sido feito também na construção do campo de golfe da Rio-2016.

Reduzir o número de desapropriações é bom, mas é certo de que nenhum morador ficaria chateado em deixar sua casa se recebesse um imóvel digno em troca. O problema é que a Prefeitura não quer pagar por isso. Aí nossos governantes afirmam que derrubar a Mata Atlântica é uma opção. A Mata Atlântica é um bem de todos, que não tem preço !

Obra de avenida olímpica derrubará 200 mil m² de Mata Atlântica no Rio

Vinicius Konchinski – Do UOL, no Rio de Janeiro

O então governador Cabral e o prefeito Paes fazem detonação necessária à avenida para a Rio-2016

A construção da TransOlímpica, avenida prometida para integrar o esquema de transporte da Rio-2016, vai causar a derrubada de 200 mil m² de Mata Atlântica no Rio de Janeiro. A supressão da vegetação de área equivalente a 24 campos de futebol foi autorizada pelo então governador Sérgio Cabral no início deste mês, dias antes de ele renunciar ao cargo.

A construção da avenida é um dos compromissos assumidos pelo Rio com o COI (Comitê Olímpico Internacional) para sediar os Jogos de 2016. A via terá 23 km de extensão e ligará Deodoro à Barra da Tijuca. Nos dois bairros serão construídas as duas maiores área de competição da Olimpíada: o Parque Olímpico, na Barra, e o Parque de Deodoro.

A área de mata que será derrubada para a obra fica na zona oeste do Rio, num local conhecido como Colônia Juliano Moreira, que fica nos limites do Parque Estadual da Pedra Branca. O parque é uma das maiores áreas de conservação ambiental do Brasil e também a segunda maior floresta urbana do mundo, com 12,5 mil hectares (125 mil km²) de vegetação.

Já a área que será derrubada é de 20 hectares. De acordo com o Inea (Instituto Estadual do Ambiente), desse total, 19,6 hectares são de vegetação considerada de estágio médio de regeneração e outros 0,4 hectare de estádio avançado. Só é autorizada a derrubada desse tipo de mata quando não há alternativa e quando há interesse público. Para Cabral, que autorizou a supressão, a TransOlímpica é de interesse público.

A TransOlímpica vai custar R$ 1,5 bilhão e terá três pista em cada sentido. Uma delas será uma faixa para tráfego exclusivo de ônibus expressos BRT (Bus Rapid Transit).

Segundo a Prefeitura do Rio, a obra vai beneficiar moradores do Recreio dos Bandeirantes, Jardim Sulacap, Magalhães Bastos, Vila Militar e de outros bairros. A passagem da avenida por trechos de Mata Atlântica é necessária para reduzir o impacto da obra para quem mora em de Curicica, André Rocha, do Guerenguê e do Outeiro Santo.

A Secretaria Municipal de Obras (SMO) informou que o traçado original da TransOlímpica não previa os 200 mil m² de mata fossem derrubados. No entanto, a execução do projeto causaria a desapropriação de 497 imóveis.

O novo traçado, por dentro da vegetação, demandará 25 desapropriações, informou a SMO. A secretaria ressaltou ainda que a supressão da Mata Atlântica será compensada pelo plantio de 400 mil m² de espécies de plantas do mesmo bioma justamente no Parque Estadual da Pedra Branca –duas vezes o que será derrubado para a construção da avenida.

Sustentabilidade

Realizar uma Olimpíada sustentável é um dos objetivos do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio-2016, instituição privada que trabalha na preparação do evento. A derrubada de áreas de Mata Atlântica e outras intervenções olímpicas, entretanto, fazem com que especialistas questionem esse compromisso.

“O ideal é não desmatar nada”, afirmou a jurista e professora Sonia Rabello, presidente da Federação das Associações de Moradores do Município do Rio de Janeiro, quando questionada sobre a TransOlímpica. “Reduzir o número de desapropriações é bom, mas garanto que nenhum morador ficaria chateado em deixar sua casa se recebesse um belo apartamento em troca. O problema é que a prefeitura não quer pagar por isso. Aí diz que derrubar a Mata Atlântica é uma opção. A Mata Atlântica é um bem de todos, que não tem preço.”

Rabello já foi vereadora no Rio e acompanha as obras olímpicas em execução na cidade. Para ela, o compromisso com a sustentabilidade está perto de se tornar mais uma promessa não cumprida, vide o que tem sido feito também na construção do campo de golfe da Rio-2016.

A obra está sendo realizada em terreno do que era parte da APA (Área de Preservação Ambiental) de Marapendi, na zona oeste. Segundo ela, a vegetação que existia na APA deveria ser preservada ou recuperada. Ela reclama que a prefeitura autorizou a plantação de grama importada necessária para o campo de golfe. “Plantar grama não quer dizer que a vegetação está sendo preservada”, disse ela.

Já o biólogo Mario Moscatelli reclama do andamento da despoluição da Baía de Guanabara e lagoas da Barra. A recuperação dos locais é compromisso olímpico. Moscatelli, porém, diz que políticos “fazem tudo para não cumpri-lo”.

“Se não é falta de vontade, não sei o que é”, afirmou. “Até agora, não foi feito nada para a despoluição. O governo do Estado do Rio de Janeiro [responsável pela despoluição] está lesando a imagem do Rio e do Brasil perante o mundo.”

Rio-2016 responde

Procurado pelo UOL Esporte, o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio-2016 ratificou seu compromisso com a sustentabilidade. Em nota, informou que ele “começa dentro de casa”. Por isso, o órgão compra madeira ou papel com certificado de manejo florestal, vai servir pescado produzido de forma sustentável mas refeições durante os Jogos e trabalha para a ampliação da acessibilidade em hotéis do Rio.

Sobre a TransOlímpica, o comitê afirmou que a obra é um exemplo “do desafio que é a sustentabilidade”. O órgão ressaltou que a derrubada das árvores só será feita para reduzir as remoções de famílias. Informou também que espera que a compensação da derrubada seja bem feita. “Para o Comitê, é essencial que haja manejo adequado e contínuo até a completa recuperação do ambiente onde foi feito o plantio”, complementou o comitê.

O comitê ainda ressaltou que não executa nenhuma obra olímpica. Porém, monitora a construção do campo de golfe e a despoluição da Baía de Guanabara. Sobre o campo de golfe, o Rio-2016 informou que a obra recuperará o terreno e multiplicará em cinco a área de vegetação do espaço. Já a despoluição da baía, segundo o Rio-2016, está em execução.

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